No coração do Leme, o apartamento histórico de um prédio construído em 1930 — originalmente projetado para abrigar um hotel à beira-mar — foi transformado em um espaço que preserva sua arquitetura e celebra a memória afetiva. O imóvel mantém elementos originais marcantes, como o desenho de tacos em duas tonalidades, sancas trabalhadas, pé-direito alto, janelas e venezianas de madeira, além de uma varanda arredondada com balaústres de concreto. O estilo eclético, que mistura traços clássicos com detalhes em art déco, serve como pano de fundo para uma curadoria pessoal: esculturas, obras experimentais, uma coleção de pedras trazidas de viagens e até maçanetas antigas dispostas como instalação na parede.
A decoração é marcada pelo garimpo e pela ressignificação de peças: um sofá encontrado em um site de usados foi reformado, poltronas e objetos vieram de leilões, e as paredes dão espaço a obras de artistas mulheres como Jade Marra, Alice Lara e Marina Abramović, compondo uma declaração visual de representatividade. A própria Michelle projetou a mesa de pingue-pongue que também funciona como mesa de jantar, além de suportes sob medida para sua coleção de vinis. Para trazer acolhimento ao pé-direito generoso, ela pintou os tetos em tons mais fechados, criando uma escala mais íntima. O resultado é um lar que combina história, personalidade e funcionalidade, com a disposição dos ambientes pensada para receber, conviver e inspirar.